quinta-feira, abril 28, 2005

O EngasGate

Comi uma senhora da melhor sociedade, à sorrelfa, em casa dela, sem ninguém saber. Foi uma quinzena de berlaitada insana, em que limpei alegremente o mangalho aos cortinados de renda e aos lençóis de seda. Como a gaja é casada com um importante banqueiro da praça, houve que preparar a fodenga aventura com todos os cuidados. Não podia escapar nenhum pormenor. A organização do curioso "derby" exigiu cautelas próprias de congresso partidário. Todavia, o escândalo rebentou quando certo dia lhe forcei o pau na garganta, despejando-lhe uma descarga de esporra pelas goelas abaixo. A senhora engasgou-se, e pôs num correrio os serviçais da casa, espantados com os sons aflitivos que tugia. Tive que escapulir-me pela janela. Grande sarilho. Um escândalo pior que o Watergate e o Clintongate. Foi o meu EngasGate.

terça-feira, abril 12, 2005

Breviário do cavalheirismo

Tenho uma capacidade inata de pôr as mulheres bem dispostas. Nos meus braços, as gajas não conhecem depressões nem traumas. Ontem, por exemplo, a Laurinha apareceu-me cá em casa. Vinha esfrangalhada. Parece que o marido lhe chega a roupa ao pêlo todos os dias. Escutei-a atentamente, abracei-a, deitei-a. Um whisky e vinte centímetros depois, a Laurinha estava como nova.
O que nos fundo elas querem não é jóias, nem sapatos, nem jantares no Gambrinus. O que elas mais ardentemente desejam é que o marido lhes espete o tarolo pelo menos duas ou três vezes por semana.
Aqui em casa são atendidas com o máximo respeito e cavalheirismo. Não é só foder por foder. Nada disso. Presto atenção às mais ínfimas necessidades do mulherio. Distingo-me assim dos outros homens, que são indiferentes aos pormenores. Uns vêm-se antes de as gajas se terem despido por completo; são «precoces». Outros gostam de se vir ao mesmo tempo; são rotos. Comigo é diferente. «Ladies first». É nestes pormenores que se vê um cavalheiro.

segunda-feira, abril 04, 2005

As cabeleireiras

Tenho desde tenra idade uma relação especial com cabeleireiras. E desde tenra idade porque aos 12 anos já satisfazia os ardores sexuais da menina Júlia, mocetona aloirada que estagiou no salão da D. Antónia. A gaja obrigava-me a lamber-lhe o berbigão sob pena de contar a meus pais que eu lhe apalpara as tetas. Para além disso, convenceu-me de que lamber pachachas dava energia suplementar para os jogos da bola. Iniciei-me assim bastante moço no bordedo pingão destas profissionais de unha encarnada e cabelo loiro. E desde aí até hoje, tenho-me divertido bastante com esta espécie fodenga. Apanascado é certamente todo o homem que nunca fez investidas de mangalho em crica cabeleireira.
Dessa história de energia suplementar para os jogos da bola, em que acreditei piamente, vingo-me hoje persuadindo as cabeleireiras de que levar no cu é uma actividade saudável e assaz recomendada por boa parte da classe médica nacional. Primeiro, coloco-as de joelhos, e de nabo em riste ordeno: «Faz-me um brushing». Logo após, venço o cepticismo que algumas me opõem quando lhes quero comer o cu à canzana. De uma forma geral, costumo ser bem sucedido. Digo-lhes que levar no traseiro robustece a musculatura anal, lubrifica o trato intestinal, e confere agilidade e graça aos membros inferiores. É isto, aliás, que explica o andar elegante de alguns dos nossos ministros.

quinta-feira, março 31, 2005

A vizinha do lado

Desta vez, fui empalmado. Coisa rara. A vizinha do lado trocou-me pelo advogado do segundo andar porque não consigo dobrar a língua em forma de "L". Foi a primeira vez que uma mulher me deixou por eu não ser capaz de executar uma pirueta lingual. Até à desavença, satisfiz-lhe todas as fantasias. Ela não pedia nada em troca; simplesmente aparecia lá em casa, e fodia de todas as maneiras e feitios. Depois, ficava uns dias sem aparecer. Às vezes, encontrava-me com ela no elevador, ou avistava-a à entrada do prédio. Tínhamos tudo combinado: falávamos apenas o trivial, bom dia, boa tarde, como está a senhora. Ela aparecia-me sempre de manhã, logo após as 8 horas, quando o marido saía para o trabalho e levava as crianças para a escola. Não dizia nada. Entrava. Tirava a roupa. Deitava-se.
Isto durou quase três meses, até ao dia em que ela me pediu que a lambesse. Hesitei. Tive nojo. Mas disse que sim. Pu-la de joelhos em cima da cama com a cabeça na almofada. Posicionei-me atrás dela. Parei, segurei-lhe o rabo com as duas mãos e olhei com cuidado, de testa franzida, avançando lentamente. Dei-lhe uma lambidela, depois outra, e comecei a lamber sem parar quando ela disse: «Não! Assim não quero!» Ergui-me de arremesso. Ela prosseguiu: «Tem que ser com a língua torcida, em forma de "L"». Eu disse: «Está bem», e tentei dobrar a língua como ela queria. «Não, ainda não está bem», comentou furiosa. E levou-me para a frente do espelho, onde fiquei a treinar com ela.
Esforcei-me. Uma vez. Duas vezes. Dez vezes. Cem vezes. Ali em frente ao espelho... Cheguei a babar-me, mas não consegui dobrar a língua como ela queria. Argumentei, implorei, insisti, mas ela permaneceu irredutível. Sem dobrar a língua, ela não queria: tinha que a lamber de língua torcida. E todas as loucuras que fazíamos na cama, antes de ela inventar aquela novidade teórica, deixaram de ter importância. Nunca mais apareceu. Sei que anda com o advogado do segundo andar porque o apartamento dele é mesmo debaixo do meu. Ouço gemidos de manhã e reconheço os gritos da vizinha. Nunca mais voltamos a falar no elevador, nem na pastelaria do rés-do-chão, nem nas reuniões do condomínio. A gaja faz de conta que não houve nada entre nós. Somos apenas dois estranhos habitando o mesmo prédio. E o advogado, filho da puta, outro dia pôs a língua de fora no elevador. Pô-la em forma de "L", brincando com os filhos da vizinha. Eu ainda não aprendi a fazer o minete de língua torcida, mas agora só esbodego trancas que não moram no mesmo prédio.

segunda-feira, março 28, 2005

O orgasmo interior

As teorias taoístas e tântricas, assim como o próprio Sting, sustentam que o orgasmo masculino sem expulsão de líquido seminal a par de uma pressão sobre o músculo do perineu conduz a um estado de êxtase inigualável. Convencido a experimentar a técnica, esgalhei o pessegueiro segundo a minha própria tradição secular e mística, com a mão direita, em ritmo constante. Ao pressentir o orgasmo, evitei a ejaculação e pressionei o perineu, como mandam as sagradas regras da filosofia oriental. Apercebi-me de que, usando este método, podia vir-me as vezes que quisesse, ter orgasmos múltiplos como as gajas, visto que o membro viril permanecia erecto depois de cada sarapitola. Mas logo após o ensaio inolvidável fui ao quarto de banho e verifiquei que a minha urina tinha mais espuma que uma caneca de Super Bock. Isto é, tinha-me vindo na bexiga. Nunca mais vou repetir a experiência. Que se fodam as doutrinas orientais.

quinta-feira, março 24, 2005

A brasileira

Ontem à noite, calhou dar traulitada de arromba em grelo do Brasil. Flávia Rosana tem 24 anos, nasceu em Belo Horizonte e trabalha nas Amoreiras. É loira, nem alta nem baixa, de olhos verdes, tem seios empinados e um cuzinho-de-cebola, isto é, de comer e chorar por mais. O Zé Tolas, trabalhador incansável, não deu o tempo por perdido. Eu que o diga, Pedro Álvares Cabral da pinocada, sempre pronto a descobrir novos caminhos para a senaita. Além do mais, gosto do palavreado desinibido das brasileiras. Por vezes não percebo nada do que elas estão a dizer, mas nessas alturas tiro-lhes o cacete da boca e deleito-me com o sotaque mineiro: «Você está de sacanagem!». A seguir: «Vai, meu macho, me rasga todinha!» E uns minutos após: «Eu vou gozar, Tião, eu vou gozar!» Nesse momento, eu, versado que sou também no fogoso linguajar de Minas, desfaço-me em amabilidades: «Puta», «Piranha», «Potranca». Provoco-lhes orgasmos com a cantilena dos três pês.
Em minha casa, quando recebo visitas destas, vigora o Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro. Não se fazem broches, pagam-se boquetes; a masturbação feminina é substituída pela siririca; não se fode, trepa-se. É toda uma lição de diplomacia e relações internacionais.

terça-feira, março 22, 2005

Uma questão higienico-financeira

Neste país de iliteracia fodenga, tenho ensinado a muitos homens inexperientes as mil e uma maneiras de entalar o barrote em pachacha sabidolas. Uma missão cristã em prol da comunidade. Desse mester vos darei conta noutros textos. A todos com quem falo na antiga e nobre arte do chavascal, aconselho porém que cortem os pêlos púbicos. Enfim, que se depilem. Por ilusão de óptica, desaparecida a penugem, o nabo parece maior. É o método português do "Enlarge your penis". Para além de que é mais barato e higiénico. E eu sou sensível a questões de poupança e asseio.

segunda-feira, março 21, 2005

Epitáfio de um putanheiro

Uma das ideias que mais me perturbam é a de um dia poder esticar o pernil, em apoplexia fulminante, enquanto rasgo crica pingona. Daí que haja lavrado em verso um pedido de epitáfio ao jeito de Bocage (o meu poeta favorito), uma mensagem que alivie a dor das carpideiras:

Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles que não fazem falta,
Verbi gratia — o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero que se saiba a minha idade,
Que, espero, há-de ser bastante alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade.

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

«Aqui dorme Tião, o putanheiro;
Passou vida folgada e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.»

Auto-retrato

O meu predecessor blogosférico, Pipi de seu nome, abandonou as lides fodengas para se dedicar à venda de livros. É um roto. Fico eu em rede para defender com galhardia o homo erectus. Que posso dizer de mim? Sou magro, de olhos azuis, carão moreno, bem servido de pés e de mangalho. Os meus amigos chamam-me o «Bocage de Campolide». As gajas, essas, tratam-me por Tião, diminutivo de Sebastião. Devoto fornicador de mil deidades (digo, de moças mil) por ano, ultrapasso em muito a contabilidade medíocre do fanchono do Zezé Camarinha. Eis o meu auto-retrato, escrito num dia em que me achei mais pachorrento.